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SAÚDE

Brasil participa de pesquisa inédita que busca a cura da hepatite B

USP e Universidade Federal do Espírito Santo integram estudo internacional que acompanha pacientes em quatro países para entender o vírus e identificar possíveis alvos para novos tratamentos

Por Redação06 de setembro de 2026
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O avanço das pesquisas ocorre em meio aos esforços internacionais para reduzir as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030. (Foto: Reprodução)
O avanço das pesquisas ocorre em meio aos esforços internacionais para reduzir as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030. (Foto: Reprodução)

Pesquisadores brasileiros estão participando de um amplo estudo internacional que busca compreender melhor a hepatite B e encontrar caminhos para o desenvolvimento de tratamentos capazes de levar a uma cura da infecção.

No Brasil, a pesquisa envolve o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP). As instituições integram um consórcio internacional liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, com participação também de pesquisadores da Índia, Senegal e Uganda.

O estudo pretende analisar, em nível celular, como o vírus da hepatite B se comporta em pessoas de diferentes regiões do mundo e como o sistema imunológico responde à infecção. Também serão acompanhados pacientes que vivem simultaneamente com hepatite B e HIV.

Pesquisa pode indicar novos caminhos para tratamentos

Um dos principais objetivos é descobrir por que a hepatite B apresenta evoluções diferentes entre os pacientes.

Os pesquisadores querem identificar características genéticas que possam proteger algumas pessoas contra uma progressão mais rápida da doença, além de componentes virais que possam funcionar como indicadores de resposta aos tratamentos ou de uma possível cura.

“A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, explicou a professora e pesquisadora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes.

As descobertas poderão contribuir para a identificação de novos alvos terapêuticos e, no futuro, auxiliar no desenvolvimento de medicamentos, incluindo estratégias capazes de estimular ou modular a resposta imunológica contra o vírus.

A pesquisa não significa que uma cura já tenha sido descoberta. O objetivo é encontrar mecanismos que possam abrir caminho para novos tratamentos e estratégias de controle da infecção.

600 pacientes serão acompanhados

O estudo deverá acompanhar 600 pessoas com hepatite B ou coinfecção por hepatite B e HIV. Serão aproximadamente 150 participantes em cada um dos quatro países envolvidos: Brasil, Índia, Senegal e Uganda.

Segundo Tânia Reuter, cada paciente deverá ser acompanhado por cerca de quatro anos e meio. A pesquisadora será responsável pela análise de 75 participantes no Brasil.

O recrutamento começou em julho e já conta com 40 participantes no grupo acompanhado pela pesquisadora. A expectativa é completar as 75 vagas até o fim deste ano, embora o prazo estabelecido pelo estudo permita o recrutamento até meados de 2027. No Brasil, a pesquisa começou em 2026 e deverá se estender por aproximadamente cinco anos.

Hepatite B pode causar cirrose e câncer de fígado

A hepatite B é uma infecção viral que afeta principalmente o fígado e pode permanecer silenciosa durante anos. Nos casos crônicos, a doença pode evoluir e aumentar o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. “O vírus da hepatite B é um dos maiores causadores de câncer hepático”, destacou Tânia Reuter.

Por isso, além da busca por novas possibilidades terapêuticas, o estudo pretende contribuir para estratégias capazes de reduzir a progressão da doença e suas complicações.

Dados apresentados no estudo apontam ainda para a dimensão global da hepatite B, que continua sendo um importante problema de saúde pública.

Vacinação é principal forma de prevenção

Enquanto pesquisadores trabalham na busca por novas alternativas de tratamento, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra a hepatite B.

No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que ainda não foram imunizadas, conforme as recomendações do calendário nacional de vacinação.

Além da imunização, medidas como o uso de preservativo nas relações sexuais e evitar o compartilhamento de objetos que possam entrar em contato com sangue também ajudam a reduzir o risco de transmissão.

A hepatite B pode ser transmitida pelo contato com sangue e outros fluidos corporais infectados e também pode passar da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto.

O avanço das pesquisas ocorre em meio aos esforços internacionais para reduzir as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030. O estudo com participação brasileira pode ajudar a revelar novos mecanismos da doença e, futuramente, contribuir para que a ciência avance em direção a tratamentos mais eficazes e à tão buscada cura da hepatite B.

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Iva Soares
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