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INVESTIGAÇÃO

Caso Isabelle Caracristi: veja o que João Munhoz Neto disse à Polícia durante depoimento

Namorado da estudante apresentou sua versão sobre o relacionamento, movimentações financeiras e o que teria feito no dia da morte; ele permanece preso e é investigado pela Polícia Civil

Por Redação26 de setembro de 2026
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Caso Isabelle Caracristi: veja o que João Munhoz Neto disse à Polícia durante depoimento

Novos detalhes do depoimento de João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, revelam a versão apresentada pelo bacharel em Direito à Polícia sobre o relacionamento e os acontecimentos que antecederam a morte da jovem, em Fortaleza.

O depoimento foi prestado no dia 21 de setembro. João permanece preso e é investigado sob suspeita de indução ao suicídio e violência psicológica. As declarações apresentadas por ele fazem parte da investigação e não representam, por si só, conclusões sobre as circunstâncias da morte ou sobre eventual responsabilidade criminal.

Durante o interrogatório, João falou sobre como conheceu Isabelle, a decisão de passarem mais tempo juntos no apartamento onde ele morava, conflitos no relacionamento, movimentações financeiras e onde afirma estar no momento da ocorrência.

João diz que conheceu Isabelle em processo seletivo

Segundo o depoimento, Isabelle participou de um processo seletivo para trabalhar em um escritório de correspondência jurídica onde João atuava como gestor.

Ele afirmou que a jovem foi selecionada entre o fim de julho e o início de agosto, mas adiou o início das atividades por questões pessoais.

Questionado pela Polícia se já existia um relacionamento amoroso antes da contratação, João negou.

Conforme sua versão, a aproximação começou profissionalmente e o envolvimento afetivo surgiu somente depois que Isabelle começou a trabalhar no local. Ele descreveu a aproximação como mútua.

Suspeito falou sobre convivência no apartamento

João também explicou à Polícia como Isabelle passou a permanecer no apartamento onde ele vivia com familiares.

Segundo o investigado, a jovem estudava na região da Parangaba e morava na Maraponga. Por causa do horário em que saía da universidade e das preocupações com o deslocamento durante a noite, ele teria sugerido que Isabelle ficasse no apartamento.

De acordo com João, ela começou gradualmente a levar roupas e objetos pessoais para o imóvel. O bacharel confirmou que existiam conflitos no relacionamento, mas afirmou que seriam pontuais. Ele também relatou uma suspeita de gravidez durante o relacionamento. Posteriormente, exames teriam descartado a gestação.

João afirma ter repassado mais de R$ 14 mil a Isabelle

Outro ponto abordado durante o depoimento envolve dinheiro. João afirmou ter transferido R$ 14.035 para Isabelle durante o relacionamento. Segundo sua versão, a jovem dizia possuir investimentos capazes de gerar retorno financeiro.

O investigado afirmou não saber exatamente onde os recursos teriam sido aplicados. Ainda conforme o depoimento, a mãe dele também teria entregue dinheiro à jovem. O valor informado posteriormente pela mulher foi de R$ 7 mil.

João declarou que passou a pedir a devolução do dinheiro por estar sem recursos disponíveis, mas negou ter feito ameaças. Ele afirmou ter mencionado a possibilidade de procurar a Polícia para tratar da questão.

Essas declarações correspondem à versão apresentada pelo investigado e estão entre os elementos analisados pelas autoridades.

O que João disse ter feito no dia da morte

No depoimento, João afirmou que, no dia da ocorrência, decidiu participar de uma celebração religiosa enquanto Isabelle permaneceu no apartamento.

Segundo ele, a jovem estava sentindo dores, e o casal teria combinado de procurar atendimento médico após seu retorno. João afirmou ter seguido de transporte por aplicativo para a Igreja de Fátima, em Fortaleza, chegando por volta das 18h40.

Entre 19h14 e 19h16, Isabelle teria enviado sua última mensagem ao namorado, relatando que não estava se sentindo bem. O investigado disse que não visualizou imediatamente a mensagem porque mantinha o celular no silencioso durante a celebração. Conforme sua versão, após participar da missa, ele permaneceu na região e participou de uma segunda celebração.

Irmão teria avisado sobre ocorrência no prédio

João declarou que soube por volta das 21h40 ou 21h45, por meio de uma ligação do irmão, que uma pessoa havia morrido no prédio onde Isabelle estava.

Ao receber informações sobre as características da vítima, afirmou ter começado a suspeitar que pudesse ser a namorada. Ele relatou que posteriormente retornou e acompanhou a atuação de policiais e peritos no imóvel.

Segundo João, abriu o apartamento para as equipes e autorizou a verificação dos cômodos. Os pertences de Isabelle ainda estariam no local.

O investigado também afirmou não ter conseguido realizar o reconhecimento do corpo por causa do estado emocional. Segundo ele, o irmão assumiu essa tarefa.

João explica câmeras instaladas no apartamento

A existência de câmeras dentro do apartamento também foi abordada no depoimento. João afirmou que os equipamentos haviam sido instalados por sua mãe no fim de agosto.

Segundo a versão apresentada pelo investigado, as câmeras possuíam detecção de movimento, mas não faziam gravações. Ele negou ter retirado ou desativado os equipamentos. João também entregou seu aparelho celular e forneceu as senhas às autoridades, segundo as informações do depoimento.

Investigação continua

João afirmou ainda que, quando começou o relacionamento com Isabelle, estava formalmente casado, embora alegasse já estar separado de fato e em processo de divórcio.

Ele declarou que inicialmente não contou essa informação à jovem, mas que posteriormente explicou a situação.

Após a morte de Isabelle, João afirmou ter procurado atendimento médico e acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Também declarou que não compareceu ao enterro por estar abalado e temer a reação de familiares da jovem.

A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do caso. João Munhoz Neto é tratado como investigado, e as declarações dadas em depoimento ainda precisam ser confrontadas com laudos, perícias, dados digitais, testemunhos e outros elementos reunidos durante o inquérito.

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Iva Soares
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