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INVESTIGAÇÃO

Dois advogados são presos em operação que investiga rede de comunicação do Comando Vermelho no Ceará

Operação Elo Oculto, do Ministério Público do Ceará, cumpriu oito mandados judiciais em Fortaleza, Caucaia, Itaitinga e São Gonçalo do Amarante

Por Redação09 de outubro de 2026
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Foto: Reprodução
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Dois advogados foram presos na manhã desta sexta-feira (9) durante a Operação Elo Oculto, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) para investigar uma suposta rede de comunicação entre uma liderança do Comando Vermelho (CV), que já está presa, e integrantes da organização criminosa em liberdade.

A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Ao todo, foram cumpridos oito mandados judiciais, sendo quatro de prisão e quatro de busca e apreensão, em Fortaleza, Caucaia, Itaitinga e São Gonçalo do Amarante. A operação contou com o apoio da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP).

Até o momento, os nomes dos advogados presos não foram divulgados. Conforme as informações do Ministério Público, eles são suspeitos de intermediar e encaminhar mensagens entre uma liderança da organização criminosa e pessoas que estão fora do sistema penitenciário.

Além dos dois profissionais, os mandados de prisão também tiveram como alvos um homem que já estava custodiado e outra pessoa suspeita de participar do repasse das comunicações.

Investigação apura troca de mensagens a partir da prisão

De acordo com o MPCE, as investigações identificaram uma estrutura que permitiria a transmissão de mensagens, orientações e informações de dentro do ambiente prisional para pessoas em liberdade. O mecanismo teria possibilitado a manutenção de contatos e articulações mesmo com a liderança da organização criminosa presa.

O promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto explicou que a apuração apontou a existência de um fluxo de comunicação entre o custodiado e integrantes que permaneciam fora da unidade prisional.

“A operação busca interromper esse fluxo de comunicação e impedir que o ambiente prisional seja utilizado como ponto de articulação para atividades relacionadas à organização criminosa”, informou o promotor.

A investigação procura esclarecer como funcionava a rede, identificar a participação de cada suspeito e verificar se outras pessoas também estavam envolvidas no esquema.

Geovane Diogo Silva Oliveira é apontado como liderança investigada

Segundo as informações divulgadas sobre a operação, a liderança que estaria no centro da rede foi identificada como Geovane Diogo Silva Oliveira, conhecido como “Geo”. Ele já se encontrava preso quando a ação foi deflagrada.

A esposa dele, que estava em liberdade, também é alvo da investigação. Conforme a apuração do Ministério Público, ela e o companheiro são suspeitos de intermediar contatos com os advogados investigados.

Os profissionais são suspeitos de terem utilizado o exercício da advocacia para facilitar a transmissão de comunicações relacionadas à organização criminosa. A suspeita ainda está sob investigação, e a participação individual de cada envolvido precisa ser esclarecida no decorrer do procedimento.

O MPCE informou que as diligências continuam para aprofundar a apuração e identificar possíveis outros participantes da rede.

Liderança também é citada no caso da Chacina do Benfica

Geovane Diogo Silva Oliveira também é citado no contexto das investigações sobre a Chacina do Benfica, massacre ocorrido em Fortaleza em janeiro de 2018.

Conforme informações divulgadas sobre o caso, ele seria o alvo inicial dos criminosos que realizaram o ataque, motivado por uma vingança relacionada a uma morte registrada cerca de um mês antes.

Na noite da chacina, os responsáveis pelo ataque teriam recebido informações de que “Geo” estaria na Praça da Gentilândia. Ele não foi localizado no local, mas seu primo, José Gilmar de Oliveira Júnior, conhecido como “Júnior Biba”, foi assassinado. Ele foi a primeira vítima do massacre.

O episódio marcou a história da violência urbana em Fortaleza e se tornou um dos casos de grande repercussão na segurança pública do Ceará.

A Operação Elo Oculto, no entanto, tem como foco específico a suposta rede de comunicação entre a liderança presa e pessoas em liberdade. As investigações seguem em andamento para esclarecer os fatos e determinar a responsabilidade dos envolvidos.

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Iva Soares
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