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Louças de luxo de 2.100 anos são encontradas em naufrágio no Mediterrâneo

Milhares de peças de cerâmica foram localizadas a 55 metros de profundidade na costa da Turquia; carga teria como destino Roma e revela hábitos das elites do mundo romano.

Por Redação08 de outubro de 2026
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Um carregamento de louças de luxo com cerca de 2.100 anos foi localizado por arqueólogos no fundo do Mar Mediterrâneo, na costa de Adrasan, em Antalya, na Turquia. O naufrágio está a aproximadamente 55 metros de profundidade e reúne milhares de peças de cerâmica que ajudam a reconstruir aspectos do comércio e dos hábitos das populações mais ricas do mundo romano.

As escavações subaquáticas começaram em 2025 e já permitiram recuperar pratos, tigelas de sopa e bandejas produzidos em 122 formatos e tamanhos diferentes.

A diversidade do material encontrado chama atenção porque permite observar não apenas a quantidade da carga transportada, mas também a variedade de utensílios que circulavam pelo Mediterrâneo naquele período.

O material permaneceu preservado no local durante aproximadamente dois milênios, até ser localizado pelos pesquisadores.

Louças foram protegidas por camadas de argila

Uma das características mais importantes do achado está na forma como a carga foi organizada dentro da embarcação.

As peças de cerâmica estavam acondicionadas em caixas de madeira e separadas por camadas de argila. Segundo os pesquisadores, essa técnica teria ajudado a reduzir os impactos sofridos pelas louças durante a viagem marítima.

A maneira como os objetos foram armazenados também fornece informações sobre as práticas utilizadas para transportar mercadorias frágeis em longas distâncias no Mediterrâneo antigo.

O ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, destacou a importância da descoberta.

“Estamos trazendo à luz conjuntos de louça de 2.100 anos das profundezas do Mediterrâneo.”

O trabalho arqueológico continua permitindo que os pesquisadores recuperem e estudem os objetos encontrados no naufrágio.

Embarcação teria partido da região da atual Hatay

A hipótese apresentada pelos pesquisadores é de que o navio tenha partido de Rhosus, antigo assentamento localizado na região da atual província de Hatay, no sul da Turquia.

A embarcação teria seguido em direção a Roma transportando a carga de cerâmica.

O naufrágio teria ocorrido depois que o navio foi atingido por uma tempestade e acabou colidindo com uma área rasa. O impacto teria provocado o afundamento da embarcação e levado toda a carga para o fundo do Mediterrâneo.

A localização do naufrágio ajudou a preservar parte significativa dos objetos transportados.

Além das louças, os arqueólogos encontraram jarros produzidos em diferentes ilhas do Mar Egeu. Também foram localizadas moedas que datam do século I a.C., elementos importantes para estabelecer o período aproximado da última viagem da embarcação.

Cerâmica era valorizada entre consumidores ricos de Roma

Os objetos encontrados ajudam a contar parte da história do comércio de luxo no Mediterrâneo antigo.

A cerâmica produzida em Rhosus era conhecida entre consumidores abastados de Roma. A presença desse tipo de produto em uma embarcação destinada à região romana reforça a existência de uma rede comercial que conectava diferentes pontos do Mediterrâneo.

A variedade das peças encontradas também indica que não se tratava apenas de objetos utilitários básicos.

Pratos, tigelas e bandejas faziam parte de conjuntos de louça utilizados à mesa. O material encontrado, portanto, oferece aos pesquisadores uma oportunidade de compreender melhor os costumes associados às refeições e ao consumo entre grupos economicamente privilegiados.

Descoberta tem ligação com o escritor romano Cícero

Um dos aspectos mais curiosos do achado é sua relação com o estadista e orador romano Cícero.

Em uma carta enviada ao amigo Ático, escrita em 50 a.C., Cícero mencionou uma encomenda de vasos de cerâmica produzidos em Rhosus.

A referência histórica ajuda a dimensionar o prestígio que os produtos da região já tinham entre consumidores ligados às elites romanas naquele período.

O registro feito por Cícero ganha ainda mais relevância diante da descoberta do naufrágio. As peças encontradas no fundo do Mediterrâneo fornecem uma evidência material de um comércio que também aparece documentado em fontes escritas da Antiguidade.

A combinação entre os objetos recuperados, as moedas, os recipientes de outras regiões do Egeu e os registros históricos permite aos pesquisadores reconstruir parte da trajetória dessas mercadorias.

Naufrágio ajuda a entender o comércio no Mediterrâneo antigo

Mais do que um conjunto de peças antigas, o carregamento representa uma espécie de retrato do comércio marítimo de aproximadamente 2.100 anos atrás.

A embarcação transportava produtos produzidos em diferentes áreas do Mediterrâneo e seguia em direção a Roma, um dos principais centros de poder e consumo do mundo romano.

A descoberta também mostra como os naufrágios podem preservar informações que desapareceram de outras fontes históricas. Objetos que foram produzidos, embalados e transportados há mais de dois mil anos permaneceram juntos no fundo do mar, permitindo aos arqueólogos estudar a carga e as circunstâncias de seu transporte.

Com a continuidade das escavações iniciadas em 2025, novas peças podem ajudar a esclarecer ainda mais a origem da embarcação, seu percurso e o mercado ao qual a carga era destinada.

O naufrágio, localizado na costa de Antalya, transforma assim o fundo do Mediterrâneo em uma espécie de arquivo arqueológico, reunindo evidências sobre comércio, transporte, produção de cerâmica e hábitos das elites em um período fundamental da história do mundo romano.

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Iva Soares
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