Trump diz que Casa Branca tratará como “inimigo” quem usar o termo inteligência artificial
Presidente dos Estados Unidos quer substituir a expressão por “superinteligência” em comunicações oficiais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (8) que a Casa Branca considerará “inimigo” quem utilizar a expressão “inteligência artificial” em vez de “superinteligência”. A declaração foi publicada pelo republicano na rede social Truth Social, em meio à sua tentativa de mudar a forma como a tecnologia é denominada nos órgãos do governo norte-americano.
Na publicação, Trump classificou como inimigos aqueles que continuarem usando o termo tradicional, que é conhecido internacionalmente pela sigla IA, em português, e AI, em inglês. O presidente, porém, não explicou como a declaração seria colocada em prática nem anunciou medidas específicas contra pessoas ou empresas que não adotarem a nova nomenclatura.
A iniciativa faz parte de uma estratégia de comunicação defendida pelo presidente, que considera a palavra “artificial” inadequada para descrever os avanços tecnológicos. Para Trump, “superinteligência” seria uma expressão mais precisa e transmitiria melhor a capacidade dos sistemas desenvolvidos pelo setor.
Trump já determinou mudança em documentos oficiais
A tentativa de substituir o termo não começou nesta quinta-feira. Em setembro, Trump anunciou a intenção de alterar a nomenclatura durante um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).
No dia 29 de setembro, o presidente assinou uma ordem executiva que determina a adoção de “superinteligência” no lugar de “inteligência artificial” nas comunicações oficiais de órgãos e departamentos do governo federal dos Estados Unidos.
A medida representa uma mudança na linguagem institucional, mas não significa que todas as empresas, universidades, pesquisadores ou cidadãos estejam obrigados a abandonar a expressão tradicional. A determinação é direcionada à comunicação governamental e não estabelece, por si só, uma obrigação geral para o setor privado.
Mesmo com a iniciativa presidencial, “inteligência artificial” continua sendo a expressão amplamente utilizada no meio científico e tecnológico. A sigla identifica sistemas capazes de executar tarefas associadas a capacidades humanas, como reconhecer padrões, produzir textos, analisar informações e auxiliar na tomada de decisões.
Superinteligência tem significado específico na ciência
Embora Trump defenda que “superinteligência” seja uma denominação mais adequada, os dois termos não são necessariamente sinônimos na literatura científica.
A expressão inteligência artificial é utilizada para descrever um campo amplo de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, que inclui desde sistemas especializados em tarefas específicas até modelos capazes de realizar atividades variadas.
Já a superinteligência costuma ser empregada para descrever uma capacidade hipotética que ultrapassaria a inteligência humana em uma ampla variedade de áreas, incluindo raciocínio, criatividade e resolução de problemas.
Por isso, pesquisadores alertam que a substituição das expressões pode gerar confusão sobre o estágio atual da tecnologia. O uso do novo nome por determinação administrativa não significa, por si só, que os sistemas existentes tenham alcançado um nível de inteligência superior ao dos seres humanos em todos os campos.
A diferença é relevante porque a inteligência artificial já está presente em ferramentas de uso cotidiano, como assistentes virtuais, mecanismos de busca, sistemas de recomendação e programas de geração de conteúdo. A superinteligência, por sua vez, permanece associada a uma capacidade muito mais abrangente, cuja existência e alcance são objeto de debate.
Corrida tecnológica com a China está no centro da estratégia
Trump tem tratado o desenvolvimento da inteligência artificial como uma prioridade estratégica dos Estados Unidos. O presidente argumenta que liderar essa área pode proporcionar vantagens econômicas, científicas, militares e geopolíticas ao país.
A disputa com a China ocupa posição central nesse discurso. As duas potências investem no desenvolvimento de modelos, infraestrutura computacional, semicondutores e aplicações de inteligência artificial, em uma competição que envolve tanto o setor privado quanto as políticas públicas.
Ao defender o termo “superinteligência”, Trump também procura associar a tecnologia a uma ideia de força, avanço e liderança. A mudança de linguagem acompanha sua postura favorável à expansão do setor e sua resistência a medidas que, em sua avaliação, possam frear o desenvolvimento tecnológico norte-americano.
A declaração sobre considerar como “inimigos” aqueles que utilizarem a expressão tradicional, entretanto, não veio acompanhada de detalhes sobre possíveis consequências práticas. Até o momento, a principal medida concreta anunciada nesse sentido é a determinação para que órgãos federais adotem a nova terminologia em suas comunicações oficiais.
A repercussão da iniciativa deverá depender tanto da adesão de instituições públicas e empresas quanto da aceitação do termo por pesquisadores e pela sociedade. Enquanto isso, a expressão “inteligência artificial” permanece consolidada no vocabulário científico e no uso cotidiano.




